domingo, 2 de janeiro de 2011

O tempo suspenso

A mensagem de Bom Ano Novo mais bonita que recebi foi uma imagem chamada "O tempo suspenso".
fotografia de jpb

Ouvido a um octogenário

Devíamos estudar todos os dias astrofísica, para nunca nos esquecermos da insignificância dos nossos problemas.

Ouvido a uma criança

Ouvido a uma criança de 5 anos, a quem ofereceram no Natal um jogo com as peças da Arca de Noé: Mas isto é um clássico.

sábado, 1 de janeiro de 2011

A sabedoria dos fracos

Numa caixa de bombons, ninguém começa pelos sabores de que julga gostar menos. Os primeiros a serem escolhidos (no caso da caixa ter uma legenda com a imagem de cada um deles e a indicação da sua composição, como se de um mini-dicionário ilustrado se tratasse, a tarefa fica até bastante mais facilitada) são inevitavelmente aqueles que se adivinham como preferidos. Chocolate com avelãs, praliné, crocante, arroz tufado, framboesas, com café. Nada de chocolate branco ou recheio de ananás e caramelo. Sobretudo, nada de coco ou pistáchio. Alguns dias mais tarde, na ausência de termos de comparação, os bombons preteridos podem saber melhor do que os primeiros, os que foram preferidos. Será essa a sabedoria dos fracos: esperarem pacientemente pela sua vez?

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O ladrão melancólico

Separados por poucos meses e alguns quilómetros, foram roubados dois “Nada de Melancolia” do Pedro Mexia, de duas livrarias Bulhosa. Haverá um melancólico ladrão à solta? Terá sido o mesmo ladrão em Oeiras e em Campo de Ourique? E nesse caso, para que quereria ele uma segunda cópia? Para oferecer? Qual terá sido o título da crónica ou o número da página que lhe deram a coragem necessária para roubar o livro? Andará de comboio a lê-lo e terá como marcador de livro um bilhete obliterado? Mas afinal, roubar nada de melancolia é roubar alguma coisa? E a expressão "ladrão melancólico" não será redundante? Não é sempre por melancolia que o ladrão rouba, para preencher a ausência que dói?

The Hungry Eye # 55

Há uma outra espécie de fotografias: as que imaginamos terem sido tiradas pelo fotógrafo (quando testemunhamos o seu acto de fotografar), a ponto de lhe pedirmos, mais tarde, que as mostre, em vez daquelas que nos apresenta. As fotografias que o fotógrafo nunca viu.

Apenas uma teoria

Temos algumas teorias que fomos desenvolvendo sobre a vida. E por muito desfavoráveis que sejam à nossa vontade, o regozijo por as vermos confirmadas é superior ao desgosto que a sua repetição provoca. A vaidade da inteligência parece ser o único consolo para o sofrimento.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Pose para o futuro

A fotografia é uma pose para o futuro. O ser fotografado procura um olhar que ainda não chegou.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Talvez

Separados por quase um século e muitos quilómetros, com estilos artísticos e palavras diferentes, talvez façam a mesma pergunta.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Ouvido noutra esplanada

Ando a fazer uma desintoxicação de computador.

Ouvido na esplanada

O Google não é um motor de busca, é um motor de roubo.

The Hungry Eye # 55

A fotografia é sempre uma ficção em segunda mão.

sábado, 18 de dezembro de 2010

O (d)efeito da virtude

Talvez os defeitos não sejam mais do que virtudes distorcidas por um excesso de prática. (ex: um forreta é uma pessoa poupada, tão poupada que poupa demais).

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A subimagem

Tal como o discurso verbal tem um subtexto que é dito ou escrito nesse não-dizer que se alimenta do espaço (que teima em não desaparecer) entre as palavras, a fotografia tem sempre uma subimagem: tudo o que não mostra, mas está lá, para quem souber levantar esse véu. O silêncio é uma forma de nudez, a luz outra. A fotografia parece anterior ao silêncio. (fotografia de Willy Ronis)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Não é segredo

É mais fácil guardarmos os segredos dos outros do que os nossos.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Upgrade

É o real (e não a vida) que está cada vez mais caro.

(post excepcionalmente publicado sem imagem, por manifesta incapacidade de encontrar uma imagem que seja real)

Erro existencial

O word sublinha a vermelho a palavra "complexada". Não sabia que agora também emendava erros existenciais.

Pensado na Bulhosa

Há pessoas que chamam os filhos como se fossem cães.
E há pessoas que chamam os cães como se fossem filhos. Quais delas obterão melhores resultados práticos?

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Ouvido na Bulhosa

Não nos aborrecermos é um dom.

The Hungry Eye # 53

O que distingue uma fotografia das outras é o tempo que leva a ver.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Verdade desocultada

Há óculos de sol que fazem parte da nossa máscara. E há outros (raros) que fazem parte do nosso rosto. Para descobrirmos a que categoria pertencem, nada melhor do que perdê-los de vista por alguns dias (mais precisamente, até a esperança de os encontrar ter desaparecido). Comigo, foi assim: pensei que tinha perdido um pedaço do rosto e descobri que tinha reencontrado a minha máscara.