sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

The Hungry Eye # 55

Há uma outra espécie de fotografias: as que imaginamos terem sido tiradas pelo fotógrafo (quando testemunhamos o seu acto de fotografar), a ponto de lhe pedirmos, mais tarde, que as mostre, em vez daquelas que nos apresenta. As fotografias que o fotógrafo nunca viu.

Apenas uma teoria

Temos algumas teorias que fomos desenvolvendo sobre a vida. E por muito desfavoráveis que sejam à nossa vontade, o regozijo por as vermos confirmadas é superior ao desgosto que a sua repetição provoca. A vaidade da inteligência parece ser o único consolo para o sofrimento.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Pose para o futuro

A fotografia é uma pose para o futuro. O ser fotografado procura um olhar que ainda não chegou.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Talvez

Separados por quase um século e muitos quilómetros, com estilos artísticos e palavras diferentes, talvez façam a mesma pergunta.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Ouvido noutra esplanada

Ando a fazer uma desintoxicação de computador.

Ouvido na esplanada

O Google não é um motor de busca, é um motor de roubo.

The Hungry Eye # 55

A fotografia é sempre uma ficção em segunda mão.

sábado, 18 de dezembro de 2010

O (d)efeito da virtude

Talvez os defeitos não sejam mais do que virtudes distorcidas por um excesso de prática. (ex: um forreta é uma pessoa poupada, tão poupada que poupa demais).

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A subimagem

Tal como o discurso verbal tem um subtexto que é dito ou escrito nesse não-dizer que se alimenta do espaço (que teima em não desaparecer) entre as palavras, a fotografia tem sempre uma subimagem: tudo o que não mostra, mas está lá, para quem souber levantar esse véu. O silêncio é uma forma de nudez, a luz outra. A fotografia parece anterior ao silêncio. (fotografia de Willy Ronis)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Não é segredo

É mais fácil guardarmos os segredos dos outros do que os nossos.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Upgrade

É o real (e não a vida) que está cada vez mais caro.

(post excepcionalmente publicado sem imagem, por manifesta incapacidade de encontrar uma imagem que seja real)

Erro existencial

O word sublinha a vermelho a palavra "complexada". Não sabia que agora também emendava erros existenciais.

Pensado na Bulhosa

Há pessoas que chamam os filhos como se fossem cães.
E há pessoas que chamam os cães como se fossem filhos. Quais delas obterão melhores resultados práticos?

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Ouvido na Bulhosa

Não nos aborrecermos é um dom.

The Hungry Eye # 53

O que distingue uma fotografia das outras é o tempo que leva a ver.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Verdade desocultada

Há óculos de sol que fazem parte da nossa máscara. E há outros (raros) que fazem parte do nosso rosto. Para descobrirmos a que categoria pertencem, nada melhor do que perdê-los de vista por alguns dias (mais precisamente, até a esperança de os encontrar ter desaparecido). Comigo, foi assim: pensei que tinha perdido um pedaço do rosto e descobri que tinha reencontrado a minha máscara.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Verdade a preto e branco

Então, ele disse: Um piano desafinado é um piano em sofrimento.

Sonho lúcido

Às vezes, sonhamos que estamos a sonhar. Mas isso, em vez de nos descansar, ainda adensa mais a complexidade da experiência. Porque faz parte dos sonhos acreditarmos que aquilo está mesmo a acontecer (tomando o sonho por realidade). Ou talvez porque estejamos a ter dois sonhos em simultâneo. Ou porque, apesar de sabermos que se trata de um sonho, desconhecemos como sair dele, como se tivéssemos entrado numa casa cuja porta entretanto desapareceu.

Ouvido no Pingo Doce

- Às vezes, zango-me com Deus.
- E o que fazes?
- Ralho-lhe.

Mapa de palavras

Peixes com pernas. Fantasma do amor. Primeira máquina fotográfica. Ponto de interrogação. Wittgenstein trabalhou num jardim de freiras. Melhor designer gráfico do mundo. É perseguindo este mapa de palavras que alguns chegam aqui. Por mero acaso.

domingo, 24 de outubro de 2010

Imaginar

Imaginar é espreitar o que não aconteceu.
(fotografia de Maya Deren)