sábado, 6 de março de 2010

Cinema Maravilha

Acto mágico de fabricar pedaços de imagens e juntá-las. Os primeiros passos do cinema não são muito diferentes dos primeiros passos de uma criança que aprende a andar e a descobrir o mundo e o seu lugar nele. Primeiros passos feitos de saltos, cortes, pequenas quedas, joelhos esfolados, a decisão de rir do susto de cair em vez de chorar, o espanto de quase existir. A celebração da imagem diante dos nossos olhos. A negação da cegueira. O festim do sonho. Imagens com vida própria, projectadas na parede como um sonho a preto e branco (ninguém pode garantir se sonhamos a cores ou a preto e branco, ou de ambas as formas). Uma criança com mais de 120 anos finge ser a primeira Alice do cinema. Um gato verdadeiro, gordo e aristocrático, aparece em cima da árvore sem ter frequentado aulas de rir, talvez ruivo, felinamente alheio à história, numa árvore quase ao alcance das mãos curiosas de Alice. Efeitos sonoros exteriores ao próprio filme, que os personagens não conseguem ouvir - o cinema mudo é sempre surdo. Um desfile de espectros, seres que pela matemática do calendário estão todos mortos, embora se continuem a mexer. Palavras que se não se fixam, como se hesitassem acerca do seu lugar, nem se ouvem, porque não têm voz. Um homem-coelho mais homem do que coelho, Alice cada vez mais Alice, a crescer, Alice a encolher sem perder letras no seu nome, palavras mais firmes, um cenário teatral, o cinema ainda disfarçado de teatro, preso ao sonho do palco, imagens incompletas tapadas por uma cortina volátil, o dramatismo a preto e branco das teclas do piano. O cinema ainda perto da fotografia, o cinema como fotogramas animados, coreografias de papel perseguidas por labaredas de luz a comer pedaços da imagem. Imagens que lembram folhas amachucadas que se desembrulham e alisam, sem nunca perderem os vincos, fantasmas no jardim que se alimentam da imaginação, a festa do chá com imagens desbotadas, como se o Chapeleiro Louco tivesse entornado chá em cima da película. Um interminável desfile de crianças-cartas (o que terão elas achado de tudo isto, as crianças de carne e osso?), uma legião de corações, seres com 3, 5, 8, 9 ou mesmo 10 corações, crianças de copas vermelhas a preto e branco para servir uma jovem rainha irada, o despertar de Alice no momento em que acredita que tudo não passou de um sonho. A inevitável solidão dos sonhos, condenados a apenas um sentido, a visão, incapazes de ser ouvidos (mesmo quando descrevemos um sonho a outra pessoa, ela nunca o conseguirá ver), tocados, saboreados ou inspirados em busca de um cheiro, na verdade condenados à falta de sentido. As limitações da tecnologia, que só existem no olhar do tempo. Nos primeiros anos do século XX, este filme de pouco mais de 9 minutos era talvez uma longa-metragem e o equivalente ao nosso 3 D de agora, em que até precisamos de uns óculos (ou serão olhos?) suplementares para o ver melhor. Esquecidos de que um sonho só se torna real quando é sonhado.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Palavras começadas por chá

Sem consultar o dicionário. Com ou sem acento. Algumas a pedir assento. Obedecendo a esta lógica: a palavra apanhada traz outra pela mão, segurando-a como se segura uma chávena de. Chá. Champagne. Champignon. Chapéu(de chuva?). Chaleira. Chaminé. Chama. Chávena. Chave. Chão. Cha-cha-cha. Charuto. Chauvinismo. Chatice. Chapada. Chakras. Chamuças. Charcutaria. Chantilly. Chanfrado. Chapeleiro.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

The Hungry Eye # 37

A história, ouvi-a numa aula de jornalismo no liceu. Embora na altura estivesse certa de que era contada por Roland Barthes na sua Câmara Clara, o tempo foi-se encarregando de empalidecer essa verdade, tal e qual como acontece nas fotografias em papel (empalidecerão elas por terem olhos que desconhecemos e nos observam, invisíveis, e deste modo se assustam com o nosso olhar?). Hoje, essa história parece mais uma quase anedota, contada antes ou depois de uma referência à obra de Barthes, sobre o poder da fotografia. Uma mãe passeia um carrinho de bebé na rua e recebe rasgados elogios de outra mulher à beleza do seu filho, ao que responde: E ainda não viu a fotografia dele.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

The Hungry Eye # 35

O fotógrafo não gosta de ser fotografado. Talvez sinta que tem o seu olhar desprotegido, irremediavelmente nu, sem a máquina à frente dos olhos. Não consegue impedir-se de imaginar que o outro o olhará com uma lente impiedosa e argutamente ampliada, tal e qual como ele gosta de fazer (esquecendo-se que o seu olhar é ele próprio uma lente que nenhuma marca do mundo saberia produzir e comercializar em série). Fará tudo para ser fotografado com uma máquina fotográfica à frente do seu olhar, numa tentativa dupla de boicote: à descoberta da sua alma e ao trabalho do fotógrafo. Além de ser um excelente disfarce – a máquina fotográfica acaba por funcionar como uns obscuros óculos de sol e o fotógrafo gosta de permanecer na sombra, pois sabe que a luz é revelação - é uma pose que diz ao mundo: não gosto que os outros (me) façam o que faço. Em ambos os casos, é um cliché ditado por uma deformação profissional.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Skullbook

Se os vivos têm o Facebook, como se chamará a rede social dos mortos?

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A luz da nudez

O escritor Michel Tournier conta uma bela história sobre fotografia. Um dia pediu a uma jovem para lhe fotografar o rosto e para sua (grande?) surpresa, a jovem despiu-se completamente. O corpo despido para o fotógrafo mas não revelado na fotografia transformou o seu rosto: a luz da nudez iluminava-o em segredo.
fotografia de Paolo Roversi

sábado, 30 de janeiro de 2010

Greguerías # 139 / A imaginação

A imaginação nunca tem a lotação esgotada.
ilustração de Tiago Manuel

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Jogar às cartas


Todos os carteiros deviam jogar às cartas. Não com as cartas de jogar, sempre enfadonhamente iguais (não obstante elas se acharem absolutamente diferentes) e sem vida interior, mas com as cartas que transportam todos os dias consigo, levando palavras a chocalhar e por vezes até um coração a bater com cuidado, para não ganhar muito volume (fora todos os números das cartas dos bancos, da EDP, da Optimus, das finanças, da Epal e do Círculo de Leitores), de um lado para o outro. Teriam de ler e tomar nota de todas as cartas pessoais (aquelas que não tinham números) que entregavam, para quem eram e de quem vinham. Caso essa carta estivesse mais de um mês sem receber resposta, eles próprios a escreveriam, não se sabe bem com que consequências. Podia acontecer que a carta que escrevessem ficasse também ela sem resposta e então, um mês depois, estariam a escrever para si próprios, fingindo não o saber.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

The Hungry Eye # 33

Muitas vezes, quando olhamos uma fotografia, esquecemo-nos de procurar onde se escondeu o fotógrafo.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A melhor metáfora viva para a morte

- "Porque é que a morte é a primeira noite de tranquilidade"?
- "Porque finalmente se dorme sem sonhar".

domingo, 17 de janeiro de 2010

A claustrofobia

Há quem tenha claustrofobia retrospectiva só de se imaginar de novo encerrado, antes de nascer, dentro da barriga da mãe. Há quem tenha claustrofobia prospectiva e se aflija com a ideia de ficar fechado debaixo da terra, depois de morto. Há quem tenha claustrofobia existencial e se sinta encerrado na sua vida. Há quem tenha claustrofobia selectiva e ande de metro, mas não de avião. Ou de elevador, mas não de metro. Há quem tenha claustrofobia linguística e só ande no elevador da Glória se lhe disserem que é um eléctrico. A minha claustrofobia é literária. Estou fechada nesta ficção sem porta. O tecto desce com o peso dos meus pensamentos. As paredes de papel aproximam-se. As palavras negras sonham em juntar-se. O espaço em branco entre cada palavra comprime o meu corpo e apenas me deixa com fôlego até à palavra seguinte. Ser a protagonista de uma história lida por milhões de pessoas leva-me para todo o tipo de sítios fechados: elevadores, quartos de criança, mochilas de escola, estantes com vidros, gavetas, aviões, pesadelos, malas, comboios e até para a escuridão de uma sala de cinema. Podem dizer-me como saio daqui? Não se deixem enganar pelas janelas. São falsas, como quase tudo nesta história.

sábado, 16 de janeiro de 2010

The Hungry Eye # 32

O Photomaton é o confessionário do rosto.

domingo, 10 de janeiro de 2010

O carteiro dos mortos

Neste blogue de tendências mórbidas, a autora escreve cartas quase telegráficas e em fundo negro a pessoas mortas e cujos nomes foram sugeridos pelos leitores, as queridas pessoas vivas. Kurt Cobain, Sylvia Plath, Sócrates, Albert Camus, Lewis Carroll, Galileu, Van Gogh, Jack Kerouac e Dostoiévski, este último com erro ortográfico, são alguns destinatários destas cartas sem envelope, morada ou selo. Qual será o código postal do país dos mortos?

http://letterstodeadpeople.tumblr.com/

sábado, 9 de janeiro de 2010

Desejo do invisível

A nudez, por vezes literal, mas sempre metafórica, é o desejo do fotógrafo. O seu olhar quer arrancar todas as películas de roupa, tecido, pele, artifício e sentido sem a ajuda das mãos. Quer possuir o segredo particular do ser fotografado, revelado sob a forma universal da imagem. Mesmo quando simula uma paixão pela matéria, o fotógrafo tem o desejo do invisível.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Um bilhete de comboio para a vida

Passaram já 50 anos sobre esse dia. Embora não fosse muito provável, Albert Camus podia ainda estar vivo. Contaria 97 anos. Mas para isso, era preciso ter usado o bilhete de comboio encontrado no bolso do casaco, quando o seu cadáver foi retirado dos destroços do automóvel em que seguia para Paris. Uma mudança de ideias à última da hora determinou a troca da planeada viagem de comboio pelo carro veloz do editor Michel Gallimard, que veio a colidir com uma árvore, provocando a morte imediata e prematura do escritor francês aos 47 anos. O que teria acontecido se Albert Camus tivesse seguido de comboio? Quantos anos mais teria vivido? Além do romance inacabado O Primeiro Homem, cujos manuscritos foram encontrados na sua mala, quantas obras deixou por escrever? Que títulos teriam? Quantos cigarros deixou por acender? A imaginação tinge-se de preto. Foi o destino, pensamos, esquecidos de que o destino é o nome que damos a tudo o que aconteceu. O destino é tudo aquilo que já não conseguimos imaginar não ter acontecido.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Os saltos altos

Os saltos altos têm uma lógica só deles. O meu rosto chega a outro andar do espelho e o homem que me inventou parece pequeno ao pé de mim. A maior magia dos saltos altos é afastarem a monotonia da vida. O seu grande paradoxo é darem poder mas tirarem mobilidade. Não se pode fugir de nada nem de ninguém em saltos altos. Nem mesmo de uma aventura. E como se isso não bastasse, no país das maravilhas os saltos altos também funcionam no sentido horizontal e são saltos compridos. Só pode ser por isso que, mesmo deitada, não caibo na casa.

The Hungry Eye # 28

Há fotografias que nos fazem perguntas, sem contudo conseguirem tirar-nos as respostas. Quando é que inventam uma posição nos botões da máquina para fotografar almas, semelhante à que existe para os rostos e para as paisagens? A pele do ombro tem mais nudez do que a pele da mão? A camisola esconde um bolso onde guardar os olhos? A que distância mínima podemos estar de outro corpo sem o ver desfocado? O olhar banaliza a nudez? Quando abrir os olhos, já terás escolhido o fio de luz com que me queres tocar? Uma velha crença infantil invade-me: se tapar os olhos, não me vêem. E se não me vêem, como poderiam tirar-me uma fotografia ou dar-me uma pergunta? As mãos só acreditam no invisível de vez em quando.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Talvez ela esteja a dormir

Para entrar numa fotografia, temos de atravessar uma espessa camada de silêncio. Vários bombeiros seguram de forma delicada uma Madonna de mármore, como se ela fosse uma mulher de carne e osso. Retiraram-na dos escombros da sua morada (seria uma igreja de paredes frias aquecidas por promessas e trémulas chamas de vela ou um palácio de uma família nobre e decadente, há muito desabitado?). A terra que abanou zangada nunca conheceu o peso dos seus passos. O seu corpo irresponsável é uma pedra com vida emprestada e os seus lábios contêm um dicionário de palavras por proferir. A sua face pálida não abre os olhos à luz, como se esta magoasse. Não olha o caos da paisagem destroçada. Não vê os capacetes vermelhos cor de sangue. Não ouve as sirenes dos carros dos bombeiros, nem grita por ajuda. Podia ser um cadáver lívido, de uma fragilidade tocante, da cor da temperatura do medo. É uma deusa de mármore, bela e distante, que sobreviveu ao sismo como um milagre. As suas mãos de pedra não procuram consolo nas enormes mãos com luvas que a transportam com cuidado, não fossem despertar a sua humanidade adormecida. Parecem mãos desajeitadas, apesar dos gestos. Seguram a sua cabeça como se ela fosse habitada por pensamentos e quase tapam os seus olhos já cerrados. Amparam-lhe a nudez do peito de mármore onde não bate um coração que cora, como se desejassem tapá-la. Talvez ela esteja a dormir e não se queira lembrar da sua vida anterior. Talvez veja muito mais do que nós, porque permanece de olhos fechados. As estátuas estão habituadas a esperar. Uma fotografia revela, muitas vezes, a inutilidade das ansiosas palavras.

fotografia de Max Rossi

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O coração sem casa

Não deve ser por acaso (nada é por acaso) que pudor rima com dor. Apesar de ser universal, a dor é egoísta. Ninguém pode sentir a minha dor por mim. Então, e perante esta certeza, sobram as perguntas. Como se mede ou pesa a intensidade do luto? Como se espreita a morte nos olhos do outro? Como se vê o negro invisível que lhe veste a alma? Escrito sem a anestesia do tempo, em carne viva e apenas almofadado pelas palavras, o Diário de luto, agora editado pelas Edições 70, sobreviveu mais de 30 anos à morte do seu autor, que apenas sobreviveu 2 anos e meio à morte da sua mãe. Foi em 25 de Outubro de 1977 que Roland Barthes começou o seu Diário de luto, um dia depois da morte da sua mãe, a quem ele trata carinhosamente por mam. Sabemos que tudo aquilo não foi sentido e escrito por um personagem de romance (como o autor nos pedia para lermos o seu Roland Barthes por Roland Barthes), daí o pudor de ler a dor do outro. O Diário de luto recorda-nos que o luto é diário. A vida encarrega-se de nos ensinar que ele não termina, talvez porque ela própria continue indiferente, embora diferente. Ao longo dos dias e das páginas do livro, o autor é confrontado com o carácter iniciático de cada experiência, de cada gesto, agora numa nova ordem cronológica. Tal como a vida, a morte traz o simbolismo da primeira vez e a sua asa negra ensombra todos os dias do calendário. O luto escreve-se na simbologia das datas. É a primeira noite de luto, o primeiro domingo, o regresso à casa vazia, o primeiro dia de aniversário (12 de Novembro) do autor, a primeira neve em Paris sem a presença da mãe, o começo do segundo luto, depois de voltar a mexer nas suas fotografias, até que as novas vivências cumprem o ciclo do primeiro aniversário da sua morte e culminam com o receio de que ela morresse uma segunda vez. A dor das estreias será substituída pelo receio da repetição. Ao longo dos dias, a descoberta da banalidade no seu “luto caótico” traz-lhe um novo olhar sobre o apartamento onde vivia, as pessoas na rua, a ida à pastelaria, a repetição de rituais quotidianos sem a presença da sua mãe. O mundano amplia o luto, ele próprio uma lente que olha para o mais irrelevante pormenor do silencioso quotidiano, até o tornar do tamanho do mundo. Esta solidão definitiva alterna com momentos de distracção e traz a infelicidade à dor, a culpa à distracção e o preto a todas as cores. O ser que morre não se torna apenas invisível, ele torna-se mudo e Roland Barthes descobre a sua surdez localizada, por já não ouvir a voz da mãe, de quem tratou nos últimos meses de vida (e que se tornou toda a vida transparente para que ele pudesse escrever). Seria ela sua mãe ou sua filha? O luto é um caminho: “caminho como posso através do luto”. O luto é um país raso e desolado, onde os momentos de desejo de viajar ou de escrever emergem, anacrónicos e em baforadas, do pais do antes. O luto é “a ausência de refúgio no imaginário” para o seu desgosto caótico e errático, que por isso não se gasta. Talvez a palavra luto seja uma expressão demasiado psicanalítica, daí que o autor escreva: “Não estou de luto. Tenho dor” e confesse que escreve “para combater a dilaceração do esquecimento”. O luto é uma ferida, “a presença da ausência”, a solidão de não ter ninguém em casa a quem se possa dizer a que horas se regressa. As viagens e a vida no exterior fazem-no sofrer muito mais, daí o desejo de voltar para casa, mesmo sabendo que ela não está lá, nem que seja para habitar o seu desgosto e evitar que as flores murchem. O desgosto torna-se cada vez menos escrito, porque ganhou a condição de eterno. Uma pergunta, sem esperança de resposta, datada de 28 de Novembro, resume a culpa de quem sobrevive à morte do outro: “Poder viver sem uma pessoa que amávamos significa que a amávamos menos do que julgávamos”? É isso o luto: viver uns dias como se estivéssemos mortos, outros espantados por termos voltado a viver (a rir, a comer, a ter preocupações mundanas e fúteis, em suma: a esquecer), mas ainda e sempre com um medo retrospectivo do que aconteceu. Talvez não se deva lutar contra o luto. Estar de luto é deixar de procurar o amor de quem morreu e aceitar que o mundo será para sempre imperfeito. É fechar uma porta para a luz e descobrir que não há lugar onde o coração se possa sentir em casa.

Roland Barthes, Diário de luto, Edições 70, Outubro de 2009, 18 €

domingo, 6 de dezembro de 2009

The Hungry Eye # 26

A verdade nunca se deixa fotografar: ela ofusca o fotógrafo.

Greguerías # 132 / O jornalista

O jornalista é o especialista em generalidades.