Mostrar mensagens com a etiqueta The Hungry Eye. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta The Hungry Eye. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

The Hungry Eye # 55

Há uma outra espécie de fotografias: as que imaginamos terem sido tiradas pelo fotógrafo (quando testemunhamos o seu acto de fotografar), a ponto de lhe pedirmos, mais tarde, que as mostre, em vez daquelas que nos apresenta. As fotografias que o fotógrafo nunca viu.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Pose para o futuro

A fotografia é uma pose para o futuro. O ser fotografado procura um olhar que ainda não chegou.

domingo, 19 de dezembro de 2010

The Hungry Eye # 55

A fotografia é sempre uma ficção em segunda mão.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A subimagem

Tal como o discurso verbal tem um subtexto que é dito ou escrito nesse não-dizer que se alimenta do espaço (que teima em não desaparecer) entre as palavras, a fotografia tem sempre uma subimagem: tudo o que não mostra, mas está lá, para quem souber levantar esse véu. O silêncio é uma forma de nudez, a luz outra. A fotografia parece anterior ao silêncio. (fotografia de Willy Ronis)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

The Hungry Eye # 53

O que distingue uma fotografia das outras é o tempo que leva a ver.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Falsas memórias

As fotografias promovem falsas memórias. Muitas vezes não nos lembramos se realmente vivemos um momento ou se há uma fotografia que nos lembra que vivemos esse momento. Um pouco como se não nos recordássemos com toda a certeza de que lá tínhamos estado, mas alguém nos provasse isso. E nós acreditássemos.

domingo, 9 de maio de 2010

The Hungry Eye # 50

A fotografia é a cicatriz da imagem.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Batota ontológica

Sempre que se fotografa a si próprio, tornando-se simultaneamente sujeito e objecto, o fotógrafo faz uma espécie de batota ontológica. Embora o olhar e a pose coincidam no jogo do auto-retrato, o eu acredita que é o outro. É o Narciso que não se reconhece no reflexo da imagem que obedece à visão interior.

domingo, 25 de abril de 2010

O fotógrafo sonâmbulo

Talvez haja, algures no mundo, um fotógrafo sonâmbulo. Em certas noites, de olhos fixamente abertos, poderia percorrer a casa e tirar fotografias. Ou então, e porque estava a dormir, teria acesso a algo quase inimaginável: fotografar os seus sonhos. Em ambos os casos, de nada se lembraria pela manhã, quando os primeiros raios de sol o despertassem a ele e à máquina fotográfica dormindo a seu lado.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

A fotogenia

A fotogenia alimenta um curioso equívoco: parece ser a grande reveladora de uma beleza escondida, quando, pelo contrário, é a inesperada criadora de uma beleza inexistente. A fotogenia não descobre uma imagem; inventa-a. Diz à cópia: és (ainda) mais bela do que o original.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Voyeur do invisível

O fotógrafo é um grande voyeur. Ponto final. Deve ser por isso que espreita o mundo, o outro, as paisagens e os rostos com um olho fechado, como se espreitasse o buraco de uma fechadura. E para não ver pela metade, pede um olho mecânico emprestado, ao qual não pára de exigir que veja cada vez melhor. É um voyeur do mundo e de si próprio, do visível e do invisível. Quer ver melhor, para ver mais e até ver aquilo que apenas imagina. Quer ver o nunca visto. E leva o seu voyeurismo ao paroxismo de querer fotografar o que não vê.

The Hungry Eye # 45

Quantas vezes, de máquina fotográfica na mão, o fotógrafo não deseja ser invisível, esquecido de que a máquina o trairia?

domingo, 18 de abril de 2010

The Hungry Eye # 44

O fotógrafo é aquele que desistiu de pintar e começou a desenhar com luz.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

The Hungry Eye # 43

Talvez o fotógrafo queira ver apenas meia realidade.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

The Hungry Eye # 42

Depois da sua mulher morrer, Nobuyoshi Araki fotografava o céu, visto da varanda de casa. Acreditava que o rosto dela ia aparecer ali, algures entre as nuvens.

The Hungry Eye # 41

O rosto é a chave do corpo.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

The Hungry Eye # 40

Se a fotografia não tivesse sido inventada, como poderíamos existir a preto e branco?

terça-feira, 6 de abril de 2010

The Hungry Eye # 39

Quem se expõe mais numa fotografia: o fotógrafo ou o ser fotografado?

terça-feira, 30 de março de 2010

The Hungry Eye # 38

Há olhares que saltam para fora da fotografia.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

The Hungry Eye # 37

A história, ouvi-a numa aula de jornalismo no liceu. Embora na altura estivesse certa de que era contada por Roland Barthes na sua Câmara Clara, o tempo foi-se encarregando de empalidecer essa verdade, tal e qual como acontece nas fotografias em papel (empalidecerão elas por terem olhos que desconhecemos e nos observam, invisíveis, e deste modo se assustam com o nosso olhar?). Hoje, essa história parece mais uma quase anedota, contada antes ou depois de uma referência à obra de Barthes, sobre o poder da fotografia. Uma mãe passeia um carrinho de bebé na rua e recebe rasgados elogios de outra mulher à beleza do seu filho, ao que responde: E ainda não viu a fotografia dele.