domingo, 31 de julho de 2011

Lógica afectiva

Já me passaram pelas mãos da vida e pelo colo de ganga mais ou menos desbotada várias dezenas de gatos. Curiosamente, os únicos dois que me morderam foram os dois que reconhecidamente mais gostam de mim.

domingo, 24 de julho de 2011

A arte ou a vida

Em Deconstructing Harry, o escritor Harry Block confessa, seis psiquiatras e três ex-mulheres depois, que não tem jeito para viver. Apenas funciona bem na arte.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Belas amígdalas

Quando perguntam a alguém qual acha que é a parte mais bonita do seu corpo, a resposta não costuma ser um órgão interno, por exemplo o pâncreas, as amígdalas (embora estas ainda se consigam vislumbrar), o fémur ou o coração. As respostas remetem para o visível, como se o corpo apenas existisse virado para fora e o seu interior nem sequer nos pertencesse.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Regador de palavras

Ainda não me esqueci da senha. Abro a porta devagar, quase a medo, aquele medo informe que até a imaginação se recusa a preencher. Passo os dedos ao de leve pelo teclado da Hermes Baby e dou passos cuidadosos, não vá pisar alguma fotografia ou ilustração que tenha esvoaçado. Pelo caminho tropeço num asterisco que está fora do sítio, como um sapato esquecido. Devia ter acendido a luz, mas tenho esta mania de andar às escuras pelo corredor, a imitar os gatos. Tiro uma teia de aranha dos tags, desejando que a aranha já tenha encontrado outro canto na casa. Olho pela janela enquanto tento adivinhar quem terá regado as palavras durante a minha ausência.