terça-feira, 16 de agosto de 2011

Elegância existencial

Quando mandamos coisas para o lixo sentimo-nos imediatamente mais leves, embora nenhuma balança do mundo o possa comprovar.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Ouvido numa discussão na rua

Eu sei que Deus está do meu lado.

sábado, 6 de agosto de 2011

O olho invisível

Bergman disse um dia que as mulheres têm mais talento para representar do que os homens. A afirmação, segundo ele, não tinha nada de moralista, antes cultural. A representação é uma profissão especialmente feminina porque as mulheres olham para a câmara (e para o espectador) com o mesmo fascínio e entrega com que estão habituadas a olhar-se ao espelho.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Agnosticismo literário

Ele disse-o de forma grandiloquente, como só o fazem os personagens de um romance: “não leio livros de ficção porque não consigo acreditar em histórias que não aconteceram”. Há quem sofra de agnosticismo literário e se contente com o script da realidade.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Imaginação zen

Parece que alguns mestres budistas conseguem ver (depois de muito meditarem) numa pequena ervilha uma grande paisagem.

Rostos entre parênteses

Na fotografia de casamento da sua mãe, uma criança foi colocando o rosto dos seus familiares entre parênteses, conforme embirrava ou se incompatibilizava com tios, primos e padrinhos. Tratou os rostos como palavras, isolou-os como se fossem orações, delimitou o seu período de existência na sua vida. Colocou os parentes entre parênteses e apenas os noivos e os pais da noiva escaparam.

Quando o telefone não toca

Não sei onde li ou ouvi esta frase, que tem tanto de humorístico como de cruel: "Se o telefone não tocar, sou eu". Tal como desconheço por que motivo saltou este fim de tarde do misterioso arquivo da memória. Às vezes, o silêncio não é apenas o silêncio. É a anti-palavra. Uma estridente forma de discurso não tecido pela voz.