terça-feira, 12 de maio de 2009

No Reino dos Porquês # 1

Quantas idades tem a vida?

domingo, 10 de maio de 2009

The Hungry Eye # 7

O fotógrafo imortaliza gestos desajeitados do quotidiano e dá à banalidade o estatuto de eternidade. 

sexta-feira, 8 de maio de 2009

The Hungry Eye # 7

O fotógrafo ri-se do tempo, mas não o tempo inteiro.

The Hungry Eye # 6

As fotografias também envelhecem, embora a uma velocidade muito diferente daquela a que envelhecem os seres fotografados. As fotografias nascem no momento em que foram tiradas e reveladas. Às vezes, têm menos 2 anos do que o bebé que mostram, outras, menos 34 anos do que a fotógrafa fotografada. A fotografia chega sempre atrasada à vida (seja um segundo ou várias décadas), embora eternize o momento. Como vivem noutra temporalidade, as fotografias envelhecem devagar. Nelas, as rugas são as dobras de papel, o tempo é o amarelo insidioso que as invade lentamente e as queima por dentro, a memória é o seu desaparecimento dentro de uma caixa de sapatos ou o seu aparecimento inesperado no meio de um livro. As fotografias vivem para lá da morte dos seres fotografados. Imortalizam-nos, embora não os possam ressuscitar. Apenas fixam o momento que eternizaram, cada vez com menor nitidez, até se desfazerem em luz e pó. As fotografias envelhecem como as cartas escritas, fotografias reveladas com palavras. O destinatário das fotografias e das cartas é o "para sempre". Algures no caminho, ambas se perdem. 

domingo, 3 de maio de 2009

The Hungry Eye # 5


O fotógrafo consegue ver o que um rosto esconde, mesmo quando ele é tapado pelo segundo rosto que são as mãos.

The Hungry Eye # 4


O fotógrafo olha o mundo através do seu alfabeto visual.

sábado, 2 de maio de 2009

Alice # 26 / Entrar numa porta


Os corpos que atravessam as portas deixam a sua marca: um gigantesco buraco de fechadura. A porta transforma-se em espelho e revela o rosto de quem a atravessou. Agora, todos vão saber que fui eu. Porque é que não esperei pacientemente que a porta se abrisse? Do outro lado, perguntavam: "Quem és tu"?  E a senha para entrar não era: "Sou eu". Era: "Já não sou eu". Mas isso eu não sabia, porque ainda não tinha entrado. Não sabia responder antes do tempo, por isso a porta não me convidou. Agora, se quiser voltar, não consigo. A menos que ande de marcha atrás, sempre de costas para esta história. Só o lugar de partida pode ser o lugar de regresso. E a porta apenas tem forma para eu entrar. Para sair, teria de desenhar um simétrico desta ausência de corpo que já não sou eu. E depois, deste lado, quem estaria a perguntar: "Quem és tu"? A vida é-nos dada vazia. Nem sempre as palavras chegam para a preencher. 

The Hungry Eye # 3


O fotógrafo traz metade do seu olhar nas mãos.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Alice # 25 / A coroa


Uma coroa não faz a rainha, mas diverte a menina.