domingo, 7 de Fevereiro de 2010

Greguerías # 139 / Os personagens

Os personagens transformam os livros em pop-ups.

quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

Skullbook

Se os vivos têm o Facebook, como se chamará a rede social dos mortos?

segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

The Hungry Eye # 34

O escritor Michel Tournier conta uma bela história sobre fotografia. Um dia pediu a uma jovem para lhe fotografar o rosto e para sua (grande?) surpresa, a jovem despiu-se completamente. O corpo despido para o fotógrafo mas não revelado na fotografia transformou o seu rosto: a luz da nudez iluminava-o em segredo.
fotografia de Paolo Roversi

sábado, 30 de Janeiro de 2010

Greguerías # 139 / A imaginação

A imaginação nunca tem a lotação esgotada.
ilustração de Tiago Manuel

sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

Alice # 43 / Jogar às cartas


Todos os carteiros deviam jogar às cartas. Não com as cartas de jogar, sempre enfadonhamente iguais (não obstante elas se acharem absolutamente diferentes) e sem vida interior, mas com as cartas que transportam todos os dias consigo, levando palavras a chocalhar e por vezes até um coração a bater com cuidado, para não ganhar muito volume (fora todos os números das cartas dos bancos, da EDP, da Optimus, das finanças, da Epal e do Círculo de Leitores), de um lado para o outro. Teriam de ler e tomar nota de todas as cartas pessoais (aquelas que não tinham números) que entregavam, para quem eram e de quem vinham. Caso essa carta estivesse mais de um mês sem receber resposta, eles próprios a escreveriam, não se sabe bem com que consequências. Podia acontecer que a carta que escrevessem ficasse também ela sem resposta e então, um mês depois, estariam a escrever para si próprios, fingindo não o saber.

terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

The Hungry Eye # 33

Muitas vezes, quando olhamos uma fotografia, esquecemo-nos de procurar onde se escondeu o fotógrafo.

sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010

A polissemia da polissemia

A polissemia é isso mesmo: a capacidade das palavras mudarem de sentido, de acordo com o contexto em que são utilizadas. Mas para lá dos limites dos significados cuidadosamente explicados nos dicionários, há uma contextualização ainda mais subjectiva, uma espécie de polissemia não lexical, antes existencial. As palavras que são ditas dependem sempre da boca que as diz. As margens dos lábios revelam-nos que há outro sentido para a palavra polissemia.

Declaração de amor pública

fotografia de David Cardeira Alves

A melhor metáfora viva para a morte

- "Porque é que a morte é a primeira noite de tranquilidade"?
- "Porque finalmente se dorme sem sonhar".

quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

Alice # 42/ O umbigo

Não tenho umbigo. Não tenho uma marca no centro do corpo a lembrar um pequeno e esquecido “o” de espanto por haver vida. Debaixo do meu vestido não se adivinha um fio tingido da cor das sanguíneas rosas, nem a prova visual do meu primeiro grito. Não transporto a casa para um botão invisível com que me prender ao mundo. O umbigo é a cicatriz com que a realidade nos cumprimenta e quer acreditem quer não, ainda não acabei de nascer.

terça-feira, 19 de Janeiro de 2010

Inteligência do coração

segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010

Elogio da estupidez

domingo, 17 de Janeiro de 2010

Alice # 41/ A claustrofobia

Há quem tenha claustrofobia retrospectiva só de se imaginar de novo encerrado, antes de nascer, dentro da barriga da mãe. Há quem tenha claustrofobia prospectiva e se aflija com a ideia de ficar fechado debaixo da terra, depois de morto. Há quem tenha claustrofobia existencial e se sinta encerrado na sua vida. Há quem tenha claustrofobia selectiva e ande de metro, mas não de avião. Ou de elevador, mas não de metro. Há quem tenha claustrofobia linguística e só ande no elevador da Glória se lhe disserem que é um eléctrico. A minha claustrofobia é literária. Estou fechada nesta ficção sem porta. O tecto desce com o peso dos meus pensamentos. As paredes de papel aproximam-se. As palavras negras sonham em juntar-se. O espaço em branco entre cada palavra comprime o meu corpo e apenas me deixa com fôlego até à palavra seguinte. Ser a protagonista de uma história lida por milhões de pessoas leva-me para todo o tipo de sítios fechados: elevadores, quartos de criança, mochilas de escola, estantes com vidros, gavetas, aviões, pesadelos, malas, comboios e até para a escuridão de uma sala de cinema. Podem dizer-me como saio daqui? Não se deixem enganar pelas janelas. São falsas, como quase tudo nesta história.

sábado, 16 de Janeiro de 2010

The Hungry Eye # 32

O Photomaton é o confessionário do rosto.

quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010

The Hungry Eye # 31

Há fotografias que revelam uma nostalgia instantânea.

domingo, 10 de Janeiro de 2010

Greguerías # 139 / A realidade

A realidade fica nos subúrbios da utopia.
fotografia de David Cardeira Alves

Greguerías # 138 / Os anjos

No cemitério os anjos riem-se baixinho para não incomodarem os mortos.
fotografia de David Cardeira Alves

Uma carta que pode ter 50 anos


O carteiro dos mortos

Neste blogue de tendências mórbidas, a autora escreve cartas quase telegráficas e em fundo negro a pessoas mortas e cujos nomes foram sugeridos pelos leitores, as queridas pessoas vivas. Kurt Cobain, Sylvia Plath, Sócrates, Albert Camus, Lewis Carroll, Galileu, Van Gogh, Jack Kerouac e Dostoiévski, este último com erro ortográfico, são alguns destinatários destas cartas sem envelope, morada ou selo. Qual será o código postal do país dos mortos?

http://letterstodeadpeople.tumblr.com/

sábado, 9 de Janeiro de 2010

The Hungry Eye # 30

A nudez, por vezes literal, mas sempre metafórica, é o desejo do fotógrafo. O seu olhar quer arrancar todas as películas de roupa, tecido, pele, artifício e sentido sem a ajuda das mãos. Quer possuir o segredo particular do ser fotografado, revelado sob a forma universal da imagem. Mesmo quando simula uma paixão pela matéria, o fotógrafo tem o desejo do invisível.

The Hungry Eye # 29

O fotógrafo passa a vida à janela do mundo e raramente se distrai. Talvez isso apenas aconteça quando é fotografado.